Gente que inspira

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28 de out de 2013

Eu gosto dos que ardem: Manoel de Barros e James Hillman







Troquei minha paixão por Jung pela paixão por Hillman. Não que tenha esquecido de Jung e desprezado tudo o que um relacionamento proporciona de aprendizados; mas a paixão é importante – esse filho da fagulha que nos incendeia. Paixão é Hillman. Quer dizer, meu lado terapeuta apaixonou-se por Hillman, meu lado poeta carrega um caminhão por Manoel de Barros. Afinal, verdadeiramente, analista e poeta têm muito em comum. Não concebo o entendimento da Psicologia Arquetípica de Hillman sem uma sensibilidade poética, ainda que não precisemos todos “fazer poesia”

Não esqueço, contudo, que a paixão é fogo de palha e pode extinguir-se um dia. Amadurecida, a gente entende que não há verdades definitivas, e o que hoje parece responder aos nossos questionamentos mais profundos pode se transformar em algo capenga, equivocado, enfim. Mas, por enquanto, a Psicologia Arquetípica ainda não me deu motivos para um arrefecer da paixão.

Sempre ouvi muitos sonhos, desde adolescente, embora nada soubesse deles que não fosse fruto da minha imaginação. De algum modo, eu acreditava nas minhas invenções. Na caminhada, vieram as leituras, os estudos de vários estudiosos. A formação em Arteterapia teve uma abordagem junguiana, apaixonante, mas com frestas de uma lucidez que impedia o crescer das labaredas. Até que veio Hillman. Na verdade ele ainda está vindo. Mas é ardente. “Eu gosto dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem”... O trecho da canção de Adriana Calcanhoto diz tudo. Diz “Psicologia Arquetípica”. Diz “fique com a imagem”.

Quando nos desconstruímos (e eu estou em abençoado processo de desabamento), a “velha opinião formada sobre tudo” aparece, como espectro de um vigilante altivo, a querer medir, na prática, nosso grau de convicção a respeito do novo, e medir forças também. Mas a poesia emprestou seu ouvido à terapia. À Arteterapia, no caso. Se é que um dia, em mim, estiveram dissociadas. Todos os eventos são, naturalmente, arquetípicos, que maravilha poder entender isso de uma forma espantosamente natural!  Que bom poder escutar encantada a singularidade, sem anseios de enquadrá-la num modelo universal!

Meus dois amores – Hillman e Manoel de Barros, mas não necessariamente nesta ordem – acabam por se completar, ampliando o território da Poesia, dando-lhe um destino para além do arrebatamento, do enlevo da alma. Em algum momento, a fala de um se sobrepõe a do outro. Hillman é sedutor porque é poético. Manoel, porque é poesia. E é ele – Manoel – que me traz a lição definitiva a respeito da alma humana: "Você sabe discutir coisas aqui, mas o sentido da vida, essa incompletude que agente tem - nós somos incompletos, sentimos incompletude - só pode ser completada com 'o mistério'." E é assim que me conduzo: ir até onde for permitido, sem tentar devassar o mistério que todos precisam ter preservado. O homem sem mistério é um homem raso.



7 de out de 2013

Sonho que se sonha junto é realidade!



A oficina arteterapêutica Sonhar com as Mãos foi  o início de uma caminhada em direção à Terra do Encantamento, ao território onde reencontraremos nossa Originalidade, o espaço livre da Imaginação Criadora. As palavras gastas foram regidas pelo som límpido e ancestral que, na próxima parada, possibilitará adentrar a dimensão onírica da comunicação. Logo adiante, buscaremos a Palavra Encantada, com a qual poderemos colorir as relações. Meus mais profundos agradecimentos a todos que sonharam juntos. Os sentimentos mais profundos lá foram ditos de olhar para olhar. E foram compreendidos pela Alma. Obrigada a todos e aos nossos mestres internos, que nos guiaram do início ao fim. Sonhemos com as mãos!